sábado, 20 de dezembro de 2008

Cauteloso: Decisões só amanhã

Todos sentimos diariamente a crescente complexidade do mundo em que vivemos. A disponibilidade transbordante de informações de fontes variadas, muitas vezes contraditórias, sem dúvida enseja mais pesquisa e a consideração de mais dados para tomarmos decisões sobre o que comprar, que carreira seguir, que emprego aceitar.

Simultânea e assustadoramente, o tempo se acelera. As janelas de oportunidade se abrem e fecham num piscar de olhos. Uma inovação agora pode ser um plágio daqui a quinze minutos. Um lançamento de um produto amanhã pode ter sido antecipado pela concorrência hoje.

Somos pressionados como nunca pelo prazo para resolver problemas, decidir e executar as soluções. O equilíbrio eficaz entre qualidade num prato da balança e tempo e custo no outro, se torna o maior desafio cotidiano.

Prevenido é aquele que se cerca de todas as garantias de que terá tomado a decisão certa. Por isso se diz (ou será que se dizia?...) que um homem prevenido vale por dois. No entanto, dependendo do tempo que se tomar para se cercar e se proteger de todas as possibilidades de fracasso, poderá não valer nem um emprego, nesses tresloucados dias.

A dificuldade está em se saber quando estamos exercendo uma cautela saudável ou estamos disfarçando um grande temor de expormos nossa opinião ou tomarmos uma decisão. A pessoa cautelosa sempre tem explicações super racionais e lógicas para pedir mais um dado, consultar mais uma fonte, refazer os cálculos só mais uma vez, antes de se posicionar. Poderíamos acrescentar às famosas Leis de Murphy: “A informação que ainda não tenho, sempre será aquela que me dará a segurança absoluta que preciso para tomar a decisão correta.” A conseqüência é que talvez a próxima decisão que tome será sempre a sua primeira vez.

O problema maior do cuidadoso em excesso é que a mesma rede de segurança que ele busca para saltar de 30 metros de altura é a que julga necessária para se jogar de um muro de dois metros. Os perigos se elevam à potência do exagero de sua prudência.

Então, se a complexidade da globalização demanda minha cautela e a aceleração do mundo exige rapidez e impulsividade de mim, como faço para evitar os riscos para o desempenho de que esta característica de personalidade ultrapasse o pragmaticamente viável?

Medo e coragem se alternam em nossas mentes o tempo inteiro. Assumir riscos num mundo de incertezas passa a ser uma competência comprada a peso de ouro pelas empresas em mercados altamente competitivos. E qual não o é atualmente? Na próxima situação em que se defrontar com uma situação que requeira análises, reflita sobre a probabilidade e gravidade das alternativas e escolha a de menor resultado, mesmo que ainda lhe pareça arriscada. Todas o serão de qualquer maneira.


Roberto Affonso dos Santos
Sócio-Diretor da consultoria
Ateliê – Desenvolvimento Humano e Organizacional
www.atelie-rh.com.br


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