domingo, 29 de novembro de 2009

Liderança Feminina: as armas das mulheres para desbravar o mercado de trabalho


Podemos perceber, no mundo corporativo atual, um crescente aumento do número de mulheres em cargos de liderança. Levantamento feito pela Catho Online no começo deste ano revelou que hoje elas representam 21,43% dos cargos mais elevados (presidentes e CEOs), sendo que eram apenas 10,39% há doze anos.
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Mas existe alguma diferença no estilo de gerenciar, de liderar, das mulheres para os homens? Para Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho Online, existem sim, e os motivos para isso possuem raízes bem profundas. “Desde pequenas, nós mulheres fomos criadas com a crença da família. Muito crianças, ganhamos bonecas, utensílios de casinha, bebês que choram, e neste momento aprendemos que já temos de ter muita responsabilidade ao cuidar de outros seres humanos, organizar uma casa, e muito mais. É comum em famílias onde se há meninos e meninas, as meninas ajudarem as mães nas tarefas domésticas, enquanto os meninos iam brincar com os amiguinhos. Crescemos e percebemos que o mundo é muito competitivo, e mesmo na escola, no trabalho, a mulher continua sendo a pessoa que cuida e faz várias coisas ao mesmo tempo. Somos pessoas não-lineares, enquanto os homens são mais objetivos e diretos. Tenho a impressão que, por todo este jogo de cintura, as mulheres consigam ter mais sensibilidade em perceber quando sua equipe pode produzir mais e quando não pode. Por elas serem mais emotivas que os homens, e por uma questão natural do corpo (gestação), as mulheres acabam fazendo tudo ao mesmo tempo, e de forma eficaz. Não que os homens não sejam produtivos, ao contrário, são pessoas que se complementam”, afirma ela.
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Para Bia Fioretti, diretora de criação de brand environment e trade marketing da 141 Sohosquare, agência do grupo WPP, o estilo de liderança entre homens e mulheres se diferencia na observação, na flexibilidade, na tolerância, e na capacidade de conhecer profundamente sua equipe, tanto do ponto de vista racional como emocional, e conseguir, assim, saber a capacidade que cada um tem para oferecer e desenvolver. “As mulheres conseguem perceber algumas coisas a mais. O fato de ser mulher já foi usado, muitas vezes, como uma grande desculpa, como um clichê de intolerância nas dificuldades do dia a dia, mas é o contrário: por usar a intuição e bom senso, as mulheres são profissionais que estão sempre atentas”, diz Bia. Já Carolina entende que os homens costumam ser mais objetivos, diretos, racionais e lineares, enquanto mulheres são exatamente o oposto, subjetivas, emotivas, indiretas e não-lineares. Para ela, o ideal é que os novos líderes, independente do sexo, encontrem um equilibro de atuação entre estas qualidades, pois na carreira de todo profissional haverá momentos em que é preciso ser objetivo, porém, em outros, não.
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“É muito importante ter equipes mistas. São energias diferentes de pessoas que se complementam e têm uma sinergia no trabalho. Pelo fato das mulheres também fazerem várias associações ao mesmo tempo, elas conseguem, às vezes, ter mais associações e visão de negócio, que muitos homens, em um primeiro instante, não perceberiam. Basta fazer o teste do supermercado: um homem e uma mulher precisam ir ao mercado para comprar um xampu. Certamente o homem vai ao mercado, na gôndola dos xampus, pega um, paga e volta rapidamente para casa. A mulher não, ela não consegue objetivamente comprar apenas o xampu, ou ir apenas às gôndolas dos xampus. Ela passará pelas frutas, pelos eletrodomésticos, pelos laticínios, encontrará alguém conhecido, conversará, fará alguma associação pensando no trabalho, pode até gerar algum negócio no mercado! E, obviamente demorará muito mais para retornar. O que o homem faria em 30 minutos, a mulher demorará 1 hora e meia”, completa Carolina.
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Ainda é comum pensarmos que as mulheres precisam enfrentar muitas dificuldades para chegar onde estão: precisam provar o tempo inteiro que são capazes, que podem desempenhar as mesmas funções de seus parceiros do sexo oposto com a mesma eficiência, e enfrentar concorrência. Porém, tanto Bia quanto Carolina garantem que não é bem assim. “Eu não sinto essa diferenciação por sexo há muitos anos. Porém, para mim foi vital ter encontrado um nicho de trabalho tão específico, porque ser uma mulher, com 47, e trabalhar com criação publicitária (onde o perfil de profissionais é muito jovem), é um grande desafio. Para mim, o desafio e a competitividade são maiores na reciclagem, em manter-me na vanguarda, em me fazer ser respeitada diante da diversidade dos novos meios de comunicação, dos novos profissionais, do que das pessoas da minha geração. Meu maior desafio está na idade, e não no sexo”, completa Bia.
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A conquista do sucesso profissional também parece ser um pouco diferente para mulheres e homens. Antes de dinheiro, cargos e status, mulheres tendem a pensar mais em realização profissional. Carolina diz que, para ela, sucesso profissional é fazer aquilo que se ama. Se um profissional não tem relevância pelo seu trabalho, se nada daquilo que faz é importante para ele, certamente não chegará a lugar algum. “Deve ser horrível acordar todas as manhãs e ir para um lugar do qual você não gosta. Não gosta das pessoas, não gosta do trabalho, não se habitua com nada daquilo. Quando realizamos algo que nos dá prazer, que realmente é relevante para nós, tudo fica mais fácil. Isto sim é alcançar o sucesso profissional. O restante, como dinheiro, status, benefícios e amigos, é consequência. Conheço pessoas que trocaram toda a loucura e o estresse da cidade grande para montar um pequeno negócio na praia, e são muito felizes. Assim, como também conheço faxineiros e lixeiros que limpam as ruas e os ambientes com o sorriso estampado no rosto. Nós queremos é ser felizes, e, para isto, precisamos encontrar aquilo que nos faz feliz. Este é o grande caminho. Aí está o segredo. Portanto, a culpa não é do governo, não é do seu chefe, não é da empresa, não é de ninguém. A culpa é somente sua. Não gosta do que faz? O que te impede de mudar? Não gosta do seu chefe? Demita-o! A empresa que você trabalha, na verdade não era a empresa que você gostaria de trabalhar? Então vá atrás da empresa dos seus sonhos. A empresa só te usa? Comece a usá-la também! Ou ainda se seu grande sonho é ter uma profissão totalmente diferente desta, o que o impede? O sucesso profissional quem faz é você, portanto mãos à obra!!!”, finaliza Carolina.
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O perfil da executiva brasileira
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Segundo um estudo da Caliper, consultoria global em gestão estratégica de Talentos, em parceria com a HSM, executivas mulheres são muito mais persuasivas, assertivas, empáticas, flexíveis e dispostas a se expor a riscos do que líderes masculinos.
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Para atingir a liderança, a pesquisa revelou que o obstáculo mais citado pelas entrevistadas foi ter que provar sua competência (42%). Conciliar família e trabalho, um dos mitos mais presentes ao se falar de desenvolvimento de carreira das mulheres, provou ser o item que menos interfere no alcance da liderança, com apenas 3% de citação.
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As principais diferenças entre o estilo de gestão feminino e masculino, apontados pela Caliper, foram:
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- a mulher busca mais o bem estar das pessoas (é mais maternal), enquanto o homem é muito mais orientado a si próprio (25%);
- a mulher consegue administrar inúmeras atividades, olhar tudo de forma mais ampla, enquanto o homem é mais focado e objetivo. Porém, a mulher sabe quando é necessário focar (15%);
- a mulher é muito mais intuitiva (13%); - a mulher é mais humana, dócil e usa mais a emoção. Os homens são mais frios, práticos e calculistas. O homem é mais focado no poder (12%);
- a mulher é mais detalhista (8%);
- a mulher é mais ágil e tem maior facilidade na tomada de decisão (5%);
- a mulher tem mais flexibilidade (5%);
- sob o ponto de vista de negócio, são equivalentes, não há diferenças (5%);
- a mulher tem uma capacidade de ver e ouvir maior do que a do homem (3%);
- a mulher tem mais paciência para esperar resultados em longo prazo (3%);
- a mulher consegue buscar o que cada profissional tem de melhor (2%);
- a mulher dá mais voltas para chegar onde quer, é menos direta (2%);
- a mulher, frente a um problema, respira, pensa e consegue buscar soluções. Homem é mais ansioso na mesma situação (2%).
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